RPG

Publicado em dezembro 2nd, 2015 | por Caio Romero

Diário de Mestre: A Masmorra de Sek [Dungeon World]

Já que entramos no clima de fantasia medieval com o Old Dragon Day, bora manter o clima e começar coisa nova por aqui? Pensando nisso, eu trouxe um resumão de uma aventura de Dungeon World que jogamos recentemente. Estávamos em três: eu mestrando; o Renato interpretando o anão guerreiro Borocoxot; e o Francis interpretando o elfo ranger Mathaec (ah… esses nomes!).

Os arredores de Monte Forte

Comecei a aventura com os personagens já na ação, lutando contra um grupo de kobolds que mantinham uma garota refém. A treta se desenrolou e, após algumas mortes, inclusive a da garotinha, o elfo acordou. A primeira sessão foi um sonho/pesadelo com uma pegada de premonição. Fiz isso porque um dos jogadores estava estreando no RPG e quis jogá-los na ação de cara, pra que pudessem se acostumar com a fluidez do sistema.

Os dois acordaram numa estalagem simples, na Vila do Sol e, atendendo a pedidos de um nobre de Monte Forte e vidrados na recompensa, juntaram suas tralhas e partiram ao amanhecer para a direção de onde um grupo de kobolds atacou a carruagem do nobre e sequestrou sua filha, a pequena Sarah. A Floresta do Cume estava no caminho e nela o dia passou num piscar de olhos. Próximos à saída da mata densa, uma videira assassina atrasou os dois que, depois de um combate bem truncado, conseguiram escapar, feridos, famintos e bem cansados.

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A treta com a videira assassina

Minutos depois de saírem da floresta, de um barranco com algumas árvores dispersas descida à frente, o grupo se depara com alguns kobolds protegendo a entrada de uma caverna no sopé de uma pequena cadeia montanhosa. Já escurecendo, os dois tretam com os kobolds e, no confronto, o companheiro animal do elfo é ferido quase que mortalmente. Com uma fome de doer o corpo inteiro, os dois acabam de matar a coruja do elfo e a devoram sem pensar duas vezes. Já no escuro, o elfo improvisa uma tocha das madeiras velhas do posto de vigia, próximo à caverna, e do óleo encontrado num frasco com um dos cadáveres dos kobolds.

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Kobolds: o prenúncio de uma treta bem maior

Depois de entrarem e se aprofundarem na caverna, os dois passaram por algumas armadilhas chatas, que atrasaram um pouco sua investida, e encontraram um halfling amarrado numa das colunas de pedra dispostas num dos corredores da masmorra. Junto com o halfling refém: mais kobolds. Aqui não teve jeito. O elfo tombou.

Pra quem não sabe, Dungeon World é um jogo de altas negociações com a morte. Nesse ponto da aventura rolou a primeira. O elfo voltou à vida, porém o grupo assumiu uma dívida um tanto chata de se pagar: retirar a vida da garotinha.

Junto do halfling ladino Tomás, os dois se embrenharam ainda mais nas profundezas do lugar. O ladino foi parar ali pelos mesmos motivos que eles: a recompensa pela menina.

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Um troll. UM TROLL?!

A treta foi ficando mais séria e, conforme isso foi acontecendo, o halfling simplesmente sumiu, deixando os maiores desafios para os dois resolverem sozinhos. Aliás, essa batalha com o troll foi bem bacana. Altas machadadas nos calcanhares, até que o bichão caiu e foi decapitado (por essas e outras Dungeon World é tão legal!).

Numa sala iluminada por tochas, kobolds faziam a guarda de um ritual que acontecia. Lá estava a menina, deitada sobre uma pilha de madeira. Um líquido de cheiro muito forte tingia as paredes do lugar, e um tapete vermelho ornamentava o centro da sala estreita e funda, passando entremeio a seis colunas que ornamentavam o ambiente.

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Eis a cria de dragão: Sek!

Num papo maroto como filhote de boss, os dois sacaram que o ritual era pra reviver o ancião dragão negro Escuridão, pai do lagartinho ali. O lance é que depois de um combate em que cada ação passava por um triz da morte, o filhote, Sek, foi derrotado e o ritual foi interrompido.

A morte retorna e volta a tomar nosso palco de jogo com mais uma baixa no grupo. A negociação mudou… Com a interrupção do ritual, a menina passou a ser um canal entre o plano material e o plano além dos portais negros da morte. Se a pequena Sarah morrer, o dragão negro ancião retorna ao plano material, o que não é um bom negócio para a morte. Com isso, a dívida do grupo passa a ser um pouco mais pesada: proteger a menina a qualquer custo e uma coisa foi levando à outra… até chegarem à dragoa vermelha Chama. Sim, o filhote morto, que tentava reviver o pai, tinha mamãe! Uma dragoa gigantesca que, puta com a morte da sua cria, voa até a Vila do Sol e arrasa o lugar. E não para por aí, a dragoa ainda atacou Monte Forte, mas lá não foi tão bem sucedida assim.

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E em meio a dragões, a briga final foi com um halfling

Fugindo da dragoa enfurecida, adivinha quem aparece? Tomás. Agora que o grupo estava todo ferrado, talvez seria mais fácil matar geral, levar a menina para o nobre em Monte Forte e ficar com toda a recompensa… Seria. Mas não deu certo. Quem tombou foi o halfling.

Com a menina em segurança, o grupo descansou até o amanhecer e partiu rumo a Monte Forte.

E isso é tudo… por enquanto. Percebam que esse texto não é um reporte de sessão. Na verdade é um resumão do primeiro arco de uma campanha que estamos fechando de várias sessões. Na semana que vem tem mais diário de mestre e a sequência dessa zica toda. Acompanhem nossas próximas postagens que mais e mais coisas legais vêm aí!

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Sobre o Autor

Mochileiro de palavras, músico de brincadeira, ilustrador de passatempo, RPGista de carteirinha e mestre Pokémon das antigas.



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