RPG

Publicado em janeiro 18th, 2017 | por Rafa Almeida

Dica de Mestre #2: Personagens Malignos

Fala, galerinha do mal! Para começar ainda melhor o ano, nada melhor que iniciar com a segunda matéria da série DICAS DE MESTRE. Quem nunca teve jogadores em sua mesa desejando jogar com personagens malignos? Ou um grupo inteiro de personagens cruéis? Pois bem, hoje vamos falar nisso. Dicas de como jogar com personagens malignos e como encaixar eles na campanha. Mesmo quando o restante do grupo tem tendência boa ou neutra, isso é possível.

Geralmente, quando jogamos RPG, assumimos o papel dos mocinhos, heróis defensores de reinos ou aventureiros que viajam ajudando os outros e livrando os fracos e oprimidos de perigos terríveis. A maioria dos jogos assume que este é o papel dos jogadores, mas nem sempre isso é obrigatório. Talvez o seu grupo de jogadores tenha decidido experimentar jogar com um grupo mais cruel ou nada ético. Ou em um determinado ponto de uma aventura, algo tenha acontecido e abraçar o lado negro da força tenha sido uma forma de sobreviver. Ou ainda, foram seduzidos por promessas de riquezas e poder sem precedentes por um Lich… Bem, não interessa como as coisas chegaram nesse ponto, o negócio é que é preciso ter cuidado e ver algumas coisas importantes quando o grupo é maligno.

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Ele é mal, não louco!

A maioria dos jogadores acha que em uma campanha com personagens malignos, os personagens irão matar uns aos outros. Matar pessoas no meio da rua, arrumar brigas em tavernas, desrespeitar a lei em qualquer lugar e de forma desordenada, e todo tipo de loucura qualquer. Em pouco tempo de aventura os jogadores acabam se voltando contra os colegas, pois existe a premissa de que como o jogador é mau, ele não liga para nada e não pode levar desaforo para casa. Nada disso é verdade. E se acontece assim no seu grupo, talvez vocês precisem de uma reciclagem. Na verdade, personagens maus são praticamente como personagens bons quando se trata de jogar RPG, mecanicamente, é claro!

Seguem alguns pontos que precisam de bastante atenção e podem ajudar a resolver esses problemas em sua mesa:

Ser maligno é diferente de ser louco

É bem comum, vermos personagens caóticos ou malignos realizarem ações malucas, ou fazer o que der na telha com a desculpa de serem caóticos. Não funciona desta forma. Não é porque um personagem tem uma visão mais negativa do mundo e se importa mais com si próprio do que com o restante das criaturas, que ele vai espalhar o caos por aí sem motivo aparente. Esse tipo de atitude pode atrair muita atenção indesejada para o personagem, afinal, os melhores vilões tendem a ser mais frios, calculistas e muito pacientes.

A maioria, inclusive, é extremamente carismático, sempre rodeado de pessoas dispostas a fazer seu trabalho sujo. É bom lembrar que ele precisa obter e manter uma vantagem e não necessariamente explodir tudo e morrer cedo atingido por uma flecha da milícia. Afinal, é preciso aumentar poder e traçar um bom plano para atingir um objetivo. Este senso de autocontrole e autopreservação ajuda muito quando o assunto é esperar a hora certa para dar um xeque-mate.

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Personagens maus são sedutores e muitas vezes lideram grandes grupos

Personagens malignos não são solitários

Temos a ligeira impressão de que personagens maus, não precisam de ninguém, já que eles matam tudo que veem, ou roubam tudo que querem. Isso pode acontecer, mas o mais correto é que vilões sempre tenham asseclas, soldados e generais. Vilões são carismáticos e conseguem vender a sua visão do mundo com grande facilidade, seja com promessas de conquistas ou mesmo levando pessoas a acreditarem que o mundo seria melhor se ele fosse de outra forma.

É importante saber ainda que mesmo que os jogadores decidam ser personagens malignos, o RPG ainda é um jogo cooperativo. Inclusive sendo um grupo, podem trabalhar juntos em um objetivo comum, tomar um reino, assassinar o comandante da guarda para que os contrabandos passem tranquilamente ou qualquer outro objetivo qualquer. Uma maneira de resolver isso e deixar tudo muito interessante, é criar uma ordem ou guilda, assim os personagens podem participar de trabalhos individuais e em grupo visando enriquecer e aumentar o poder da organização.

A calma deve ser mantida

Não é vantagem jogadores roubarem ou matarem uns aos outros e justificarem isso com a tendência de ser maligno. Se algo assim for necessário, crie um ponto da história em que isso se torne inevitável e dê sentido à história. Até pode acontecer, mas reações exageradas ou inconsequentes devem ser medidas e evitadas. Converse com seus amigos e com o mestre para que isso seja evitado, e que o cooperativismo do jogo seja respeitado para que todos se divirtam tentando dominar o mundo.

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Os maus também vencem

Vencendo o jogo com personagens malignos

Geralmente imaginamos que os personagens malignos devem sempre perder no final. É uma dúvida comum que surge quando pensamos se personagens maus poderiam triunfar. Bem, é claro que podem triunfar! Como personagens bons e heróicos podem acabar morrendo em campanhas, o lado negro da força pode vencer naturalmente. Se os personagens malignos vencerem, algo interessante pode acontecer. Crie um gancho imediato para que próprios jogadores, agora bons, sejam os algozes desses vilões.

Entendam seus limites

Campanhas com personagens malignos são mais adultas, têm temas um pouco mais pesados e exigem um grau de maturidade maior. Conversem antes e definam os pontos que podem ser abordados, violência demais e de forma gratuita pode ofender algum jogador. Portanto, é sempre bom conversar para que ninguém seja ofendido e a diversão se perca.

Resumindo: personagens malignos agem basicamente como personagens bondosos, a única diferença é o objetivo final dos personagens. Visto que existem criaturas malignas caóticas e leais, é possível fazer todo o tipo de personagem. Crie várias personalidades, histórias marcantes e até vilões que podem acabar rompendo barreiras e se virando contra o mal mais tarde. Lembrem-se sempre que é um grupo e que é necessário traçar um plano muito bem arquitetado para conquistar seus objetivos. Eu espero que tenha sido útil nessas dicas breves, mas certeiras.

Se gostaram e querem mais dicas, mande um e-mail para a gente ou deixe nos comentários. Quem sabe trazer o seu tema seja utilizado na matéria da próxima semana?

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Um sucesso decisivo a todos e um bom jogo tentando dominar o mundo!

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