RPG

Publicado em novembro 30th, 2016 | por Rafa Almeida

Dust Devils: façam suas apostas!

“Olá, peregrino! Bem-vindo ao fim de mundo! Deixe-me pagar uma bebida, afinal, todo homem deve brindar ao diabo que o persegue. Ora, deixe disso. Se você está aqui nesta porcaria de cidade que não deu certo, é porque tem um capeta no teu calcanhar. Assim como eu.

Olha ali. Velho xerife, o demônio dele é a esposa que ele matou por acidente, achando que a mira era certa o suficiente para pegar o safado que tinha uma faca na cara dela. Tá vendo o rapaz bonito com todos os dentes, jogando cartas? Ele tem um também. O sorriso perfeito e a audácia nas apostas mostram que ele tá morto por dentro e precisa viver fora dos pesadelos da noite. Tá vendo a índia bonita que atende no bar e tá sentada no colo dele? Problemas de ser filha bastarda do pároco. Se acostume, rapazinho. Aqui duas coisas são certas: poeira e demônios.

Como eu sei de tudo isso? Ora, o seu demônio particular tinha que sorrir para você algum dia, não é?”.

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Um mockup da caixa da versão da Red Box

Dust Devils é um jogo ambientado no bom e velho oeste americano, porém não é nada heróico ou belo. Nada de mocinhos ou donzelas dançando can-can. Aqui os personagens são profundamente complexos, esse sistema leva a questões sobre a vida, e enfrentar seus demônios particulares, mesmo que seja afogando ele em uma boa dose de whisky.

A criação de personagens

A criação de personagens é bem simples. Os jogadores têm 13 pontos que vão ser distribuídos em 4 características: punho, coração, culhão e visão. Punho reflete a força física do personagem e ações com aplicação de força. Coração é ligado ao carisma e o quanto heróico ou malvado ele é, além de influenciar em presença e intimidação. Culhão, como o nome mesmo já diz, reflete o vigor e saúde moral do personagem. Visão é a inteligência do personagem e capacidade de lábia e manha. As características tem o mínimo de um ponto e o máximo de cinco pontos. Essa distribuição vai dizer quem os personagens são e o quão rápida é a queda ou ascensão do personagem rumo ao final da história na luta contra seu demônio interior.

Além dos pontos distribuídos, os personagens terão dois traços únicos. Esses traços definem os personagens e torna o jogo mais narrativo. São coisas como: atira primeiro e pergunta depois, ou liso como sabonete. E também um passado e um presente, algo que mostra quem ele foi e o que ele é, basicamente a reviravolta que aconteceu na vida dos personagens. E por fim, a coisa mais imprescindível e importante, todo personagem tem um demônio particular, um demônio interior, algo que o perturba e o assombra por toda sua vida, algo condenável do passado, algum erro terrível, sutil ou cruel isso devora os personagens por dentro.

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O livro com uma capa sinistra

A mecânica do jogo

A mecânica do jogo é baseada na história pessoal de cada um dos personagens, e em seus conflitos interiores. Quanto mais conflitos o personagem enfrentar, mais chances de enfrentar o demônio, pois a cada conflito em que o personagem é derrotado, ele perde atributos, e quando um atributo chega a zero, o confronto contra o seu demônio particular está a um passo.

Mas o que seriam esses demônios? Nada impede de ser realmente uma criatura mítica maléfica dotada de poderes e falsas promessas, mas pode ser também uma alucinação, ou uma culpa que o personagem carrega. O demônio nada mais é que o ponto fraco do personagem, o seu tendão de Aquiles. Algo escondido que quando confrontado pode levar a um final triste ou à redenção.

Essa mecânica, aliada às apostas (que são feitas com cartas e fichas, incluindo mãos de pôquer) permite uma grande liberdade narrativa. Um grupo com ênfase na interpretação em uma campanha mais longa, pode simplesmente passar vários conflitos sem necessidade de apostas, deixando suas cartas e fichas para interações mais dramáticas ou climáticas apenas, enquanto uma aventura one-shot pode terminar em menos de uma hora, devido à intensidade de conflitos entre personagens. Tudo fica a cargo do Crupiê (o Mestre) e dos jogadores.

Os jogadores também possuem uma grande liberdade narrativa, declarando o que acontece ao final de uma cena de conflito de onde saíram vencedores. Isso permite que a história se desenvolva com grande foco nos personagens, permitindo uma riqueza de detalhes bastante customizada, além de manter uma sequência no jogo, nunca tornando ele monótono.

Essa forma de resolução de conflitos é incrível, principalmente quando há algum conflito entre jogadores, seja ele físico ou intelectual. Quem vence o conflito, narra a cena e pode colocar em maus lençóis o perdedor. E tudo é baseado em mãos de pôquer. Quando há um conflito, os jogadores e o mestre apostam suas fichas, e o vencedor leva tudo!

É necessário um baralho comum para jogar e alguma coisa para marcar as fichas de pôquer que serão utilizadas nas apostas. Eu recomendo a versão de luxo da RedBox Editora que já vem com um baralho personalizado, o livro com as regras e as fichas.

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Detalhes dos componentes da versão de luxo

Outro ponto positivo do sistema é que a ambientação pode ser alterada. Caso não seja interessante para o seu grupo jogar no velho oeste, é possível alterar para outro ambiente, como o Japão Feudal e seus inúmeros clãs, briga de território entre tribos, guerra civil e tudo mais!

Espero que tenham curtido. Dust Devils é um sistema muito bacana e que cumpre bem o seu papel, além de ser extremamente divertido. Recomendadíssimo! Então aproveitem e limpem suas armas, vai que você precise delas não é mesmo?

Um bom jogo a todos, curtam nossas redes sociais e compartilhem este conteúdo!

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