RPG

Publicado em setembro 12th, 2016 | por Rafa Almeida

Psi*Run está chegando pela Secular Games

Sua cabeça dói, sua visão ainda está embaçada, e você não lembra o seu nome. Ao abrir melhor os olhos, existem pessoas estranhas deitadas em outras macas ao seu lado, você tenta reconhecê-las ou reconhecer o local, mas não consegue. Você simplesmente não consegue se lembrar de nada, e para piorar, pessoas estão vindo em sua direção e não parecem ser amigáveis.

É nesse clima que Psi*Run começa, um jogo indie lançado em 2012, criado por Meguey Baker. Um jogo de interpretação, rápido e intenso em que jogadores assumem o papel de runners com poderes psíquicos, ou seja, pessoas com poderes mentais, despertando de um acidente ou experiência laboratorial, porém com amnésia. Ao longo do jogo existem várias perguntas que serão respondidas, flashs ou lapsos de memória que serão lembrados, e é disso que se trata o jogo.

A construção de personagem é extremamente simples: uma ficha onde será escrito o nome e a idade que seu personagem aparenta ter, e o que o seu poder psíquico é capaz de fazer. O livro de regras recomenda não ser muito específico,  assim, novas formas de utilizar o poder podem aparecer durante o jogo, de acordo com as situações vividas pelos personagens e a criatividade dos jogadores.

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Corre que a parada azedou!

Também será preciso elaborar entre 4 a 8 perguntas sobre o seu personagem, perguntas estas que deverão ser respondidas durante o jogo. Essas perguntas podem ser simples ou mais complexas, como por exemplo: “o que significa essa tatuagem em minha mão?”, ou “por que não consigo esquecer o nome Riley”, “quem são essas pessoas que estão atrás de mim”, “porque não tenho o dedo mindinho de minha mão esquerda”, “porque tenho medo de locais escuros”, entre infinitas outras perguntas sobre o seu personagem.

O cenário é basicamente o descrito no início do texto, os personagens despertam depois de um acidente. Podem estar em um trem, em uma prisão ou um laboratório. Os acidentes podem ser dos mais variados: um motim na prisão, uma explosão de gás em um laboratório, um trem que descarrilhou ou um comboio do governo que sofreu um acidente automobilístico, o que interessa é que depois destes acidente os jogadores acordam sem saber quem são, com vislumbres do que aconteceu e estão sendo perseguidos. Os jogadores não tem muito tempo para se conhecer, apenas reconhecem que existe uma ameaça comum a todos, ou seja, todos eles são alvos.

Não existe um mapa propriamente dito, jogadores e mestre criam isso juntos quase que simultaneamente, basicamente escreve-se em um papel (ou pode se usar um mapa), escolhem o nome do local onde estão e o mestre descreve a cena. Assim que eles vão para outro local o mestre pega mais um papel e escreve onde estão e descreve a cena. O jogo é rápido, e me fez lembrar o filme Run Lola Run e séries como Blindspot ou John Doe.

A mecânica é bem simples e utiliza apenas dados de seis faces. Basicamente são rolados um mínimo de 4 dados e um máximo de 7 dados. Alguns dados serão sempre jogados pois são vinculados à ação. Um dos dados é para fazer a ação que o jogador deseja, outro dado é para ver se o personagem consegue lembrar alguma coisa do passado, outro dado é para ver se o personagem consegue realizar a ação rápida o suficiente para distanciar dos perseguidores, um deles para ver se o seu poder não causa nenhum problema.

Mediante todos os resultados, você aloca os dados em uma tabela de risco que vem dentro do jogo. Por exemplo, se meu personagem quer pular de um prédio para o outro e precisa quebrar a janela do outro lado, para isto ele vai usar seus poderes para conseguir atingir a distância, eu vou rolar 5 dados. Após os rolagens eu escolho qual dado ou no caso resultado eu quero para cada possibilidade da ação descrita acima. Então, há sempre a chance de um numero 1 nos dados me colocar mais perto dos perseguidores, ou até ferir alguém.

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Tabela de Risco

O jogo termina quando o personagem consegue se lembrar das perguntas sobre si e descobre como escapar e porque está sendo perseguido. Uma das coisas mais legais, e isto é comum em jogos Indie, é que o mestre e os jogadores criam a histórias juntos. O mestre é responsável pelas resoluções das rolagens, mas se os flashbacks aparecerem, os jogadores podem escrever memórias que o seu personagem se lembrou, interagindo e colocando todos como responsáveis pelo final da história. O jogo é rápido e acaba geralmente em uma ou duas sessões.

O jogo é simples, extremamente divertido e rápido. Não e necessário uma reunião semanal com campanhas longas, podendo ser jogado inclusive em eventos em aventuras one shot’s, e a possibilidade de sempre ter efeitos colaterais, seja na ação ou na perseguição, deixam o jogo tenso durante toda a sessão.

E a melhor notícia é que a Secular Games está trabalhando na versão nacional deste jogo. O livro vai receber ilustrações novas e se nos basearmos por Violentina e Dungeon World, com certeza o resultado será animal. Confira o site dos caras AQUI e fique por dentro das novidades.

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