Fala galera! Em mais um episódio da nossa coluna Imersão BG, prepare-se para explorar a Idade Medieval. Não, você não precisará enfrentar uma batalha sangrenta ou entrar na fila do carrasco. Conheça Orléans, do designer Reiner Stockhausen e explore o crescimento de uma das cidades mais importantes da França. A expansão deve ser equilibrada. Invista na navegação, no comércio, na produção de alimentos e se preocupe com o evento da rodada: peste ou impostos, qual chega primeiro?

Orléans

[caption id="attachment_9186" align="aligncenter" width="620"] Vista da cidade e da Ponte George V[/caption] O jogo tem como base a bela cidade de Orléans, localizada no norte-centro da França. Sua posição geográfica favorável foi determinante para o crescimento do país, bem como de parte da Europa na idade medieval. Situada às margens do rio Loire, a cidade contou com um sistema de navegação favorável para seu florescer cultural e econômico. Recebeu inclusive, a denominação de capital intelectual durante o reinado de Carlos Magno.

A História de Orléans

[caption id="attachment_9187" align="aligncenter" width="620"] A bela cidade e o rio Loire[/caption] A cidade fora primeiramente chamada de Cenabo, ou Cenabum, um dos principais redutos gauleses. Lá se realizava a assembleia anual dos druidas. Ela foi conquistada por Júlio César e construída pelos romanos. Como se vê em inúmeras construções e estilos presentes na cidade. Em determinado período fora reconstruída pelo imperador romano Aureliano, que a renomeou para Aureliano, ou Aurelianum. Diversas nações passaram pelas margens do Loire, destacando-se os alanos e os vândalos. Inclusive, foi ponto de acampamento na batalha contra Átila, o Huno. Durante a dinastia merovíngia, a cidade foi dominada por Clóvis I, tornando-se a capital do então reino de Orléans. Mas, foi durante o reinado de Carlos Magno que a cidade atingiu seu ápice, sendo chamada de capital intelectual. O avivamento durante seu reinado foi sentido em diversas áreas como as artes, cultura e economia. Graças aos esforços de Carlos Magno e de seu braço direito Teodulfo de Orléans, o ensino ganhou proporções únicas. Isso culminou anos depois, com a criação da Universidade de Orléans, sendo esta modelo base para diversas outras universidades na Europa. A cidade passou por diversas guerras (entre guerras sociais e religiosas), dentre elas a Guerra dos Cem Anos. Em especial nesta guerra, um fato histórico é atrelado à cidade. Ela foi retomada pela famosa guerreira Joana d'Arc, após um cerco efetivo. Na segunda Guerra Mundial, Orléans foi duramente bombardeada, necessitando de um processo de reconstrução gradativo e longo.

A Importância de Orléans para a Europa

[caption id="attachment_9190" align="aligncenter" width="620"] Joana d'Arc e o cerco a Orléans[/caption] A cidade sempre foi um ponto estratégico na Europa, por estar às margens do rio Loire e devido a sua proximidade de Paris. Ainda na era medieval, haviam pouquíssimas pontes que cruzavam o rio Loire com segurança e uma delas se encontrava em Orléans. Com tudo isso, chegou a ser a terceira cidade mais rica da França. Por todas essas características e por seu expansionismo cultural, científico e religioso, Orléans se tornou uma cidade de atividade comercial e cultural: era um ponto de convergência na Europa.

Orléans e o tabuleiro do jogo

[caption id="attachment_9184" align="aligncenter" width="620"] O tabuleiro do jogo[/caption] O tabuleiro do jogo, além de simples e bonito, remete o jogador ao expansionismo vivido por Orléans. Cada ação representa algo importante para a cidade. As ações de alocação de trabalhadores no tabuleiro central se formam dentro do contexto da época. Cada uma delas tem relevância não apenas no jogo, mas também no tema. O fazendeiro é parte indispensável da economia, fornecendo alimentos básicos e produtos para serem comercializados. O artesão possibilita ao jogador aprimorar suas alocações (fornecendo engrenagens) e fortalece a expansão social da cidade. Tudo isso amarrado ao comerciante, afinal alguém precisa comercializar tudo isso e nada melhor do que fornecer novas mercadorias. Que tal fazer um vinho francês? Ou quem sabe queijos?.  Com a importância já destacada de Orléans e sua proximidade com o rio Loire, o navegador tem importante função. Cruzar os rios negociando mercadorias. Nessa época era preciso um certo resguardo militar, possibilitado pelos soldados na ação de castelo. Com mais guardas, a cidade ficará mais segura e isso atrairá mais pessoas para ela. No jogo, a ação te permite retirar mais trabalhadores do pool.  Ainda, não se pode esquecer do ensino, tão destacado na cidade pela Universidade de Orléans. O jogo não deixou passar, oferecendo a ação de universidade, que irá te possibilitar andar na trilha do desenvolvimento. Isso mostra que todo crescimento de uma cidade, passa pela capacitação dos seus cidadãos. Por fim, o jogo te relembra a força da religião na época, com a ação que te concede um coringa, no caso, um monge simpático.

Interação entre a história e os eventos do jogo

[caption id="attachment_9185" align="aligncenter" width="620"] O tabuleiro individual[/caption] Cada rodada de Orléans é marcada por um novo evento, entre eles destacamos os impostos e a peste negra. Os impostos se ligam ao fato da cidade sempre estar dominada (sejam romanos ou merovíngios). De tal forma, sempre era exigida alguma compensação financeira da população. O jogo ainda perpassa a ideia de um imposto progressivo, quem tem mais, paga mais. Além deste evento, a peste negra aterroriza os jogadores. A passagem da peste negra pela Europa dizimou de 30 a 60% da população européia, tendo sido sentida também na cidade tema.  Para o jogador, esse evento significa o fim trágico de um de seus trabalhadores. A não ser que a sorte sorria e um dos trabalhadores iniciais seja o escolhido, assim, não haverá maiores vítimas.

Orléans em expansão e o tabuleiro de prefeitura

[caption id="attachment_9191" align="aligncenter" width="620"] O tabuleiro complementar denominado Prefeitura[/caption] Os jogadores podem ainda, enviar seus trabalhadores de forma permanente para o espaço chamado Prefeitura. Lá, existem diversas benfeitorias a serem feitas na cidade que fornecem bônus aos jogadores. Assim como a cidade possuiu sua vertente expansionista, o jogo permite tornar a cidade do tabuleiro mais desenvolvida. Nesta ação de prefeitura existem benfeitorias como a construção da Catedral. A Catedral de Sainte-Croix d'Orléans é um dos principais monumentos da cidade, tendo sido realizada uma missa noturna da qual participou Joana d'Arc durante o cerco à cidade. Outra benfeitoria é a canalização, demonstrando a tentativa de modernização da cidade e melhoria da qualidade sanitária, ou até mesmo a vitória sobre a peste. Todas as benfeitorias interagem diretamente com a história da cidade e proporcionam ao jogador uma ideia de crescimento. O trabalhador deixa o seu controle para permanentemente, auxiliar em alguma necessidade. 

Considerações Finais

[caption id="attachment_9189" align="aligncenter" width="620"] A famosa Catedral de Orléans[/caption] Orléans parece um jogo fora do circuito "normal" de temas. Não existem guerras, invasões, nem vai às fontes confiáveis da temática de fantasia. Busca, na verdade um tema histórico, interessante e original. Ao entendermos a história da cidade, a sua importância para a Europa e como cresceu, é possível associar tudo no jogo e ter uma verdadeira imersão. Assim como falamos na coluna anterior (dê uma olhada em Trajan), a temática histórica às vezes é pouco perceptível. Mas, quando entendemos todo o contexto, logo nota-se que o trabalho realizado pelo designer foi excepcional. Todas as ações que o jogador pode ter, bem como os eventos que surgem, nos colocam dentro dessa cidade em sua época de glórias. Um jogo estratégico, com elemento sorte colocado de uma maneira interativa e divertida, que reflete muito bem o tema proposto. Espero que tenha gostado deste artigo do Imersão BG, não se esqueçam que estamos aqui toda terça-feira. Nos encontramos na próxima, cowboy (eu diria, segura peão!). Abraços!